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Tá suando, safado?!

Fecharam o playgroud dos bacanas ricos de Teresina

Atualizado em 14/08/2012 - 18:12 h
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Bete (ao centro) dentro do carro da Polícia Bete (ao centro) dentro do carro da Polícia (Foto: MN)
Não, doutor, não é greve de quenga - como houve no Bataclã em Ilhéus, na novela Gabriela, da Globo -, mas tem uma pá de bacana chupando o dedo com cara de amélia, nesses dias de vacas magras lá pras bandas do Cristo Rei e do Dirceu Arcoverde, onde funcionavam três das maiores casas de prostituição de Teresina - Bete Cuscuz, Rancho e Copacabana. Também há muito cabra safado no lexotan, suando igual cuscuz, com medo de ter o santo nome da família em vão divulgado pela Polícia Civil. Para esses tarados endinheirados - muitos senhores casados torraram fortunas bancando suas perversões -, pior que o risco da escassez de puta na cidade verde foi a retirada de cinco sites da internet, onde havia “cardápios” eletrônicos oferecendo lindas garotas para programas sexuais – O (oral), V (vaginal), A (anal) e DP (dupla penetração). A orgia custava entre R$ 200 e R$ 500, dependendo do fôlego do freguês. A "Operação Aspasia", batizada pela imprensa de Operação Cuscuz, cumpriu 12 mandados de prisão, 15 mandados de condução coercitiva e três mandados de busca e apreensão. Podem acontecer mais prisões nas próximas horas. Gravações telefônicas é o que não falta. Foram 15 meses de escutas e investigações. Sua, fidumaégua!

Quem não sabia?

Suruba de luxo é programa para a elite, oferecido na maior cara de pau, sem nenhum pudor, sem censura alguma, há décadas na capital. Todo mundo sabia, mas ninguém dizia nada. Quem se atrevia? A internet foi apenas mais uma ferramenta usada para alimentar uma rede de prostituição e tráfico, inclusive de drogas, que envolve gente graúda, autoridades de todas as esferas de poder, profissionais liberais, a mídia, os donos de motéis, pousadas, sítios, casas e apartamentos de luxos, taxistas e outros.

Duplamente exploradas

A Operação Cuscuz revelou que a dona do cabaré de luxo, sem descruzar as pernas, ficava com 70% do programa, enquanto que a acompanhante suava a fronha para embolsar apenas 30% do que cobrava do cliente. Dinheiro que, aliás, a criatura tinha que gastar para cobrir despesas pessoais na própria casa de prostituição ou no local onde era mantida quando não estava “labutando”. Isso é o que se chama exploração.

Babado forte!

Pois bem. A prisão temporária dessas oito pessoas ligadas ao poderoso esquema de prostituição e tráfico em Teresina, na manhã desta terça-feira (14), foi assunto em todas as rodas de conversa, nas paradas de ônibus, nos coletivos rumo à escola e ao trabalho, no comércio, em órgãos públicos, na praça de alimentação e no cafezinho dos shoppings, nos corredores que levam aos gabinetes de todos os escalões e poderes e, principalmente, nos bastidores políticos, onde algumas dessas belas acompanhantes costumam dar o ar de suas graças... ou até um pouco mais.

Teia criminosa

Na entrevista coletiva concedida após as prisões dos oito acusados dos crimes de formação de quadrilha, favorecimento à prostituição (rufianismo), tráfico interno de mulheres e manutenção de casa de prostituição, além de exploração sexual de menor (já que uma adolescente foi localizada numa dessas casas), a delegada de Proteção à Criança e ao Adolescente, Andréa Magalhães, e os delegados James Guerra e Daniela Barros, revelaram que as investigações vinham ocorrendo há 15 meses, em segredo de Justiça. Quinze meses é o tempo de Andréa à frente da DPCA.

Tá tudo grampeado

Grampos telefônicos com autorização da Justiça forneceram aos delegados as provas que faltavam para prender a quadrilha. Foram cumpridos os mandados de prisão contra Elizabeth Lourdes Oliveira (Bete Cuscuz), Keila Marina de Sousa Jacob, Alan Wolner da Silva Leandro, Rejane Ferreira Melo (gerente Beth Cuscuz), Carlos Roberto da Silva Passos (proprietário Copacabana), Goreth Maria Soares de Oliveira Ribeiro e Francisco Soares Bandeira.

Caiu o sistema

Foram retirados do ar os sites: gatasteresina, mostrateresina.com., pecadocazual.com, multiescolha.com e soastop.com. Além das prisões e das apreensões feitas nesses ambientes, a delegada Andréa Magalhães pediu o fechamento das casas de prostituição. O juiz que concedeu os mandatos se julgou impedido de determinar o fechamento desses estabelecimentos.

Ambiente degradante

"Se aquilo é prostituição de luxo, o que eu vi é deprimente. Elas trabalhavam em péssimas condições de higiene, infiltrações e sujeiras. O que vi me repugnou, fiquei chocada com o que vi”, admitiu a delegada Daniella Barros.

Poderosos por trás


“As gravações mostram que garotas eram seduzidas. Empresários poderosos do Piauí alimentavam essa vergonhosa rede de prostituição”, adiantou o secretário de Segurança, Robert Rios. Os nomes desses senhores estão sendo mantidos sob sigilo. Alguns clientes, também preservados, são respeitados pais de família, que escondem suas possantes picapes nos bares próximos aos cabarés e passavam a noite se esbaldando com as jovens, à base do uisque 12 anos e viagra.

Limpando a vista

Quem gostou da Operação Aspásia foram os policiais civis. Agentes e escrivães de polícia, acostumados a prender bandidos, hoje viveram dia de perfume importado e fartura. Baba baby! A Cico parecia uma passarela de escola de samba. Era cada coxa! Pelo menos 30 mulheres vindas de outros estados, como Pará, Maranhão, Ceará, Minas Gerais e Rio Grande do Sul foram ouvidas pela Comissão de Investigação do Crime Organizado.

Vende-se

Nesses dias de moralidade exacerbada, resta saber se vão mandar suspender ou retirar de vez a publicação de anúncios explícitos oferecendo serviços sexuais, estampados ao lado de ofertas de emprego, nos classificados dos jornais impressos de Teresina.

A nota oficial da Polícia Civil

A Polícia Civil do Estado do Piauí deflagrou, às 06 horas desta terça-feira (14), a Operação “Aspásia”, resultado de investigações iniciadas há 15 meses para combater crimes de favorecimento à prostituição e tráfico interno de pessoas praticados na cidade de Teresina.
A Operação Aspásia visa desarticular organizações criminosas responsáveis pela cooptação de mulheres à prostituição e exploração sexual destas, valendo-se, inclusive do uso da Internet para divulgar anúncios comerciais com esse fim. A Polícia Civil do Piauí identificou três organizações que mantinham sob fachada de estabelecimentos comerciais lícitos locais destinados à exploração da prostituição e tráfico interno de pessoas.
Diante das provas coletadas foram solicitados pela Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA) e deferidos pela autoridade judiciária competente após parecer favorável do Ministério Público do Estado, mandados de prisão temporária e três mandados de busca e apreensão; além de outras medidas cautelares, bem como o fechamento de cinco sítios de internet relacionados aos crimes em tela. Todos esses mandados serão cumpridos por 50 policiais civis.
Dentre os alvos dos mandados de busca estão os conhecidos estabelecimentos comerciais Boate Beth Cuscuz e Boate Copacabana, localizados nos bairro Cristo Rei e Dirceu Arcoverde, respectivamente.
A Operação Aspásia foi assim denominada em alusão à mulher da Grécia Antiga que foi uma das amantes de Péricles e encontrava-se no mais alto patamar das prostitutas da Grécia, personalidade detentora de poder, que teve sob a sua rédea os homens gregos.
Haverá entrevista coletiva às 11 horas desta terça-feira, na Academia de Polícia Civil do Piauí".



Sobre a coluna "Pinceladas" O jornalista Paulo Pincel escreve sobre todos os assuntos. Você pode colaborar enviando fotos, informações, sugestões e comentários. Contato: 8820-0021 E-mail para o colunista: paulopincel2011@gmail.com

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