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Trânsito livre para todos

Atualizado em 07/02/2012 - 15:21 h
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Por Luís Fernando Machado

Um dos principais obstáculos para quem deseja viver com qualidade de vida nas grandes cidades é enfrentar a confusão diária do trânsito. Congestionamentos, transporte coletivo ineficiente e ausência de vias ou meios alternativos para se deslocar entre a casa e o trabalho, por exemplo, fazem parte da rotina da maioria dos brasileiros. Infelizmente, o cenário de Brasília não é muito diferente da realidade descrita acima. Somente uma política de mobilidade urbana com ações integradas pode minimizar este problema.

Muito difundido por especialistas, o conceito de mobilidade urbana trata exatamente disso: da facilidade dos deslocamentos de pessoas e bens dentro de um espaço urbano. As políticas públicas de transporte, trânsito e ocupação do solo precisam ser elaboradas levando em conta a infraestrutura disponível de cada região.

Mesmo que ainda estejamos longe do ideal, é preciso reconhecer que o poder público tem trabalhado com ações que visam amenizar o problema do trânsito no Distrito Federal. Na última semana, o GDF anunciou o investimento de R$ 66 milhões na construção de 235 ciclovias em 12 cidades do DF. De acordo com o projeto, as ciclovias serão integradas às linhas de metro e de ônibus coletivo. A bicicleta é um meio de transporte rápido, barato e ecologicamente correto e, com a criação das faixas exclusivas, deve ganhar novos adeptos.

Outra medida, adotada em dezembro, foi a criação do corredor exclusivo para ônibus. Os corredores são alternativas baratas, simples de executar e que trazem o grande benefício de evitar que os ônibus compartilhem as pistas engarrafadas. O primeiro corredor está funcionando na Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB). A medida deve atingir cerca de 420 mil pessoas, segundo levantamento do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans).

As alternativas citadas acima, certamente, contribuirão para melhorar o tráfego nas principais vias da nossa cidade. De qualquer forma, não podemos esquecer que Brasília está entre as cidades com maior número de carros por habitante, uma média de um carro para cada dois moradores. Não há como esconder essa realidade. De janeiro a novembro do ano passado, mais de 100 mil novos veículos entraram em circulação no Distrito Federal.

Antes de se criticar medidas como o IPVA Zero, em vigor desde o dia 2 de janeiro, é preciso ter claro que cada meio de transporte atende uma parcela da população. E, ideologias à parte, o carro ainda é o meio mais eficiente de transporte que temos. Com incentivos ou não, o brasileiro sonha e trabalha para ter seu veículo próprio. Pesquisas deixam claro que comprar um veículo não é apenas “status” ou vaidade. Reflete diretamente em conforto, segurança e, principalmente, agilidade. No entender do Sindicato, o IPVA Zero contribui para a renovação da frota e pode sim, ajudar a melhorar a gestão do trânsito como já ocorreu em países como a Alemanha, visto que veículos novos são mais econômicos, seguros e menos poluentes.

Diante desse quadro, faz-se necessário que o poder público pense de forma integrada a questão da mobilidade urbana no Distrito Federal. Não dá para priorizar um ou outro meio de transporte. É preciso unir e direcionar esforços para melhorar a fluidez das principais vias, assegurando o direito de ir vir dos cidadãos seja de carro, ônibus, metrô ou bicicleta.


Luís Fernando Machado é presidente do Sindicato dos Concessionários e distribuidores de Veículos Autorizados do Distrito Federal (SINCODIV/DF)


Fonte: Luís Fernando Machado  |  Editor: Luiz Brandao

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