Piaui Hoje





Distância ínfima

Um doce para quem souber como e quando separar o público do privado

Atualizado em 19/07/2012 - 17:25 h
Tamanho da fonte: 15    
Denise Leitão Rocha na Playboy de setembro: curvas, vídeo picante e demissão Denise Leitão Rocha na Playboy de setembro: curvas, vídeo picante e demissão (Foto: Reprodução)
É complicado separar o público do privado, quando se exerce uma função, cargo ou mandato. A distância é ínfima, quase nenhuma, em se tratando de assumir atos ou opiniões. A ex-assessora parlamentar do senador Ciro Nogueira Filho (PP-PI), advogada Denise Leitão Rocha, agora sabe muito bem disso. “Musa” da CPI do Cachoeira, como passou a ser chamada na mídia, o “furacão”,  deprimida e chorona, viu o cargo que ocupava no Senado - onde ganhava R$ 4 mil sem bater ponto - virar fumaça, após vazar na internet um vídeo seu com cenas “picantes”, "explicitas" – todos os termos aspejados são repetidos sistematicamente nas grande rede ao se referir à loura de corpo escultural, suposto afair do “ex-peixe” e agora deputado federal Romário, casado e pai de quatro filhos.

Uma pedra no caminho

O senador do PT também virou manchete por causa de uma outra loura - que não é sua “chegada”. Uma semana antes de pedir a impugnação do senador Wellington Dias, candidato do Partido dos Trabalhadores a prefeito de Teresina, a promotora da 1ª Zona Eleitoral Myryan Lago postou no twitter várias mensagens, agora consideradas preconceituosas pela assessoria jurídica do candidato petista, que ameaça ingressar com representação criminal e disciplinar junto à Procuradoria Regional Eleitoral, ao Conselho Nacional do Ministério Público e Procuradoria Geral de Justiça do Estado, acusando-a de preconceito e até de racismo. A ação já teria sido protocolada hoje no MPE.

Preconceito e racismo
O presidente do Partido dos Trabalhadores no Piauí, deputado estadual Fábio Novo, não só reafirmou a acusação feita pelo senador Wellington Dias contra a promotora de Justiça Myrian Lago como prometeu ingressar com representação na esfera administrativa e criminal contra a servidora pública por “preconceito” e racismo. ábio Novo copiou todas as postagens feitas pela promotora no Twitter para fundamentar o pedido de afastamento dela da promotoria eleitoral e a ação criminal por preconceito. "A promotora tem aversão ao PT e ao senador Wellington Dias, o que fica muito claro nas postagens feitas no Twitter".

Afastamento é fato

Sem se pronunciar sobre a polêmica com o senador Wellington Dias, candidato a prefeito de Teresina, a promotora de Justiça, Myrian Lago, afastou-se do cargo de procuradora eleitoral da 1ª Zona. A solicitação foi oficializada na manhã desta quinta-feira (19). O argumento para se afastar foi a preservação da própria imagem e da imagem do Ministério Público do Estado.

Nota do Ministério Público

Enquanto Fábio Novo concedia entrevista a um canal de TV, a Procuradoria Geral de Justiça do Estado divulgava nota informando do pedido de afastamento. "A promtora Myryain Lago pediu hoje (19/07) afastamento de suas atividades na Justiça Eleitoral. A promotora achou relevante pedir o afastamento diante da polêmica que envolve seu nome, pois, mesmo não havendo veracidade no fato de ter partido político, ou de ter tentado beneficiar alguém, entende que seja necessária a sua saída para evitar que haja margens a especulações diante dos pedidos de impugnação por ela formulados, e também para preservar sua imagem e a imagem da instituição, de modo que a justiça, acima de tudo, seja executada de forma transparente", dizia a nota.

“A ingnorança astravanca o progressio”
O deputado estadual Firmino Filho, candidato do PSDB a prefeito de Teresina, atribui à ignorância (sobre o que é o twitter) as denúncias contra a promotora Myryan Lago, acusada pela assessoria jurídica e pelo próprio candidato do PT a prefeito, senador Wellington Dias, de agir como assessora do tucano e de se referir de maneira preconceituosa contra os petistas.

Traição petista em tela
Em postagem feita no dia 4 de julho no Twitter, Myrian Lago se reporta à “traição” do PT ao prefeito Elmano Ferrer (PTB). O partido do deputado estadual Cícero Magalhães havia decidido indicá-lo candidato a vice-prefeito na chapa de Elmano. Uma semana depois, a Executiva Nacional decidiu ignorar a vontade dos delegados petistas e determinou o lançamento da candidatura própria de Wellington Dias a prefeito de Teresina.

Lavou, enxugou, tá nova
“Gente se o PT amanhã bancar a Madalena arrependida, o Elmano aceita-o de volta sem problemas? Será tipo lavou tá novo”, ironizou a promotora, citando trecho da música de duplo sentido do forrozeiro e deputado federal Frank Aguiar, que diz: “lavou, enxugou, tá nova”. “Se o WD – a promotora se refere a Wellington Dias sempre desta forma - não for eleito prefeito de Teresina, o povo do PT já pode se candidatar a vagas de bailarinas do Faustão, é muito jogo de cintura!”, sugere. “Agora o Fábio Novo “arrudiando” para explicar o inexplicável. Tão mais fácil dizer a verdade”, ensina. “Dias sim, dias não, e o WD continua querendo ser candidato a alguma coisa. Será TOC (Transtorno obcessivo compulsivo)?”, diagnostica.

Wellington ficha suja
Toda ira petista contra Myrian Lago decorre do pedido de impugnação da candidatura do senador, a quem a promotora acusa de “ficha suja”, ressuscitando uma ação tramitada e julgada pelo TRE-PI TSE em 2010, onde o então candidato a senador foi multado por conduta vedada a gestor durante período eleitoral. A Justiça Eleitoral não só não impugnou a candidatura de Wellington Dias como o diplomou senador, lembram os advogados do candidato do PT.

"Índio cara de pau"
Amigo pessoal e cabo eleitoral de Wellington Dias desde os tempos da Câmara Municipal de Teresina, o radialista Oscar de Barros avalia como “vulgar”, beirando o racismo, as afirmações da promotora Myryan Lago no Twitter. “Uma das investidas mais graves da promotora pode levá-la a responder processo criminal por crime de racismo. A promotora retuitou o post de outro usuário da rede que trata o senador do PT como índio cara de pau”, reagiu Oscar de Barros, irado.

Consultora política
Além dos ataques ao PT e a Wellington Dias a promtora “aconselha” o candidato do PSDB, deputado estadual Firmino Filho, sobre o conteúdo do discurso. “Eu excluiria as expressões ‘Teresina mais humana, justa e fraterna’. Considero repetitivo e antigo, foi muito usado antes”, sugeriu. Firmino Filho respondeu que avaliaria as dicas de Myrian Lago.

Retaliação peteira

Minimizando toda a polêmica criada pelos “post” no Twitter, a promotora de Justiça Myrian Lago avalia a representação como uma tentativa do PT de desqualificá-la enquanto representante da Justiça Eleitoral, justamente pela ação de impugnação movida contra o candidato a prefeito Wellington Dias. “Porque é insulto somente agora? É uma opinião da cidadã Myrian Lago, não da promotoria. Não tive intenção de ofender ninguém. É quase um estilo meu, sou bem humorada e assumo o que digo”, avisou. “... é uma ação para desqualificar a minha pessoa”, resumiu.

Não vi, não sei, não conheço
Firmino garante que não conhece pessoalmente a promotora Myrian Lago, com quem costuma interagir no Twitter. “Tenho vários seguidores e interajo com a população de forma democrática. Faço perguntas, dou respostas. Nós conversamos porque é uma forma democrática e moderna de ouvir questões e dar respostas. É para isso para que servem as redes sociais. Estou no Twitter há 3 anos e é importante que a gente possa falar as coisas”. Liberdade de expressão! Abaixo a censura! Tamo nessa...

De volta à cena do crime

Sem dar nenhum detalhe sobre o conteúdo da entrevista, o Ministério Público do Estado convocou coletiva para o meio-dia desta sexta-feira (20). O promotor de Justiça Ubiraci Rocha, da 14ª Promotoria de Justiça de Teresina, vai falar mais uma vez sobre a morte da estudante universitária Fernanda Lages, cujo corpo foi encontrado no dia 25 de agosto no canteiro de obras de um edifício em construção na Avenida João XXIII, na zona Leste de Teresina. "O Ministério Público receberá a imprensa piauiense para prestar esclarecimentos acerca da morte da estudante Fernanda Lages Veras, que foi a óbito no dia 25 de agosto de 2011", informa a nota do MPE.

Um ano sem respostas
A morte de Fernanda vai completar 11 meses na próxima semana sem nenhuma pista que possa ser usada para incriminar alguém. O prazo para a Polícia Federal concluir o inquérito termina neste domingo, dia 22. Desde o começo das investigações, os promotores Eliardo Cabral e Ubniraci Rocha sempre acreditaram e sustentam até hoje que Fernanda Lages foi assassinada.


 

Sobre a coluna "Pinceladas" O jornalista Paulo Pincel escreve sobre todos os assuntos. Você pode colaborar enviando fotos, informações, sugestões e comentários. Contato: 8820-0021 E-mail para o colunista: paulopincel2011@gmail.com

Comentarios



Assine nosso newsletter




© 2013. | Piauí Hoje | Todos os direitos reservados. Emails para contato: redacao@piauihoje.com - comercial@piauihoje.com - financeiro@piauihoje.com Rua Dr. Ocílio Lago - 1197 - Ininga - Teresina(PI) - CEP - 64048-025 - Telefones do Piauí Hoje: (86)3237-1000 e (86)9987-9655