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Artigo: A segurança nossa de cada dia

Não há como fazer um cálculo preciso do custo por pessoa ou per capita da segurança privada ou da totalidade de despesas com segurança


Advogado Álvaro Mota

Advogado Álvaro Mota Foto: Divulgação

Se qualquer um de nós parar para calcular o quanto gasta pessoalmente em segurança vai tanto se espantar quanto se indignar, embora não seja fácil chegar a uma conclusão de quanto nos custa viver em segurança ou com a sensação de estar em segurança.

Não há como fazer um cálculo preciso do custo por pessoa ou per capita da segurança privada ou da totalidade de despesas com segurança – mas é possível dizer que essa é hoje uma despesa crescente e que nos tira dinheiro que poderíamos usar, por exemplo, para investir ou para lazer e cultura, viagens e instrução, por exemplo.

Um estudo publicado dois anos atrás pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento indicava que o país já gastava mais com segurança privada que com segurança pública. Em 2017, famílias e empresas brasileiras respondiam por 47,9% dos gastos com segurança no País, enquanto os custos do Estado, com policiamento e prisões, por exemplo, representam 36,1% do total.

É dinheiro que gente besta não conta. As estimativas do BID eram de que o Brasil teve em 2014 um custo de US$ 91 bilhões ou 3,78% do Produto Interno Bruto (PIB) com segurança. Claramente, estamos em 2019 gastando mais, embora não se possa estimar o quanto mais se avançou nessa despesa.

O que realmente podemos dizer é que quando empresas gastam mais com segurança patrimonial, esse custo a maior vai para o valor de produtos e serviços prestados. Numa situação banal de alguém que vai a um restaurante, pede um prato e uma taça de vinho, sobremesa e café, ao final pagará sobre tudo, além da comida, uma parte destinada à segurança.

Em todas as nossas situações cotidianas estamos pagando por segurança – e não apenas no imposto que se estabelece sobre nosso consumo, mas no custo final de qualquer bem ou serviço. Quanto maior o nível de insegurança, mais pagamos por isso. O exemplo mais clássico é sobre o custo de seguros de automóveis, que dependendo do CEP do segurado, maior ou menor será o valor da apólice.

Ante isso, parece razoável acreditar que pode haver um ambiente de maior prosperidade econômica se houver medidas eficientes na redução da violência, medida por indicadores como homicídios e crimes contra o patrimônio. É de fato uma condicionante positiva, a de que com mais segurança as pessoas tendem a gastar menos com segurança e concentrar suas energias em produzir mais.

Álvaro Fernando da Rocha Mota é advogado. Procurador do Estado. Ex-Presidente da OAB-PI. Mestre em Direito pela UFPE. Presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

Fonte: Alvaro Mota

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Sobre a coluna

Álvaro Mota

Álvaro Mota

Procurador do Estado e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Álvaro também é presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

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