ARTIGO

Myriam Portella, uma grande piauiense!

Primeira mulher a representar o Piauí na Câmara dos Deputados


Miriam Portela

Miriam Portela Foto: Divulgação

Em meio a um ambiente no qual não se permitiu uma homenagem presencial grande o suficiente para a gradeza da personalidade que se foi, o Piauí perdeu na terça-feira uma grande mulher, um grande ser humano, uma notável figura pública, Myriam Nogueira Portella Nunes, primeira mulher a representar o Piauí na Câmara dos Deputados e logo numa quadra em que o Brasil escreveu uma nova Constituição, ou seja, em um momento para fazer-se ainda maior e fundamental para as gerações presentes e futuras.

De minha parte, ela foi tudo isso e uma pessoa da intimidade de minha família. Isso me é muito honroso. Muitíssimo educada e afetuosa, sempre dispensou a mim uma especial atenção e tenho dela as mais doces lembranças, sobretudo porque foi uma companheira de trabalho de minha mãe no Tribunal Regional Eleitoral, ambas atuando na mesma sala.

A relação é, então, até certo ponto familiar, porque ela era afilhada de batismo de minha tia Lira Pires Leal, o que me fez estreitar a amizade e o carinho, Também essa proximidade me fez perceber o arrojo com que ela se dedicava a fazer o que quer que fosse, o que a tornava pessoa inspiradora, em tudo, desde o modo de portar-se e vestir-se até sua elegância natural de tratar as pessoas sempre com muita cortesia.

Sua educação extremada e seu reconhecido bom gosto a levaram a ter uma loja, mas foi como advogada e pessoa pública que se fez mais relevante, atuando nos serviços de assistência social quando primeira-dama do Piauí (1979-1983), como a presidente do Serviço Social do Estado, trabalho que, com certeza, viria a influenciá-la como integrante da bancada do Piauí na Câmara dos Deputados entre 1987 e 1991, como a primeira mulher piauiense a tornar-se deputada federal.

Advogada, lembro que tinha uma relação de amizade com meu pai. Sempre foi estudiosa e guiava-se pelo compromisso com a ética, o respeito aos direitos fundamentais, a preocupação com o próximo. E isso, sem dúvida, foi decisivo em sua ação constituinte, fazendo-a desposar teses que, uma vez acolhidas no processo constituinte e tornadas dispositivos na Carta de 1988, proporcionaram ao Brasil avanços civilizatórios incomuns até mesmo em nações com mais longa tradição de progressos sociais.

Como é a ação das pessoas, seu trabalho e o reconhecimento desse trabalho pela comunidade em que vivem que as eterniza, posso estar certo de que Myriam Portella viverá sempre em cada um dos seus concidadãos. Seu trabalho, o zelo em fazer o que é bom, certo e justo, e seu exemplo como política e pessoa pública, são legados que seguirão vivos e a manterão viva em todos nós.

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