LEMBRANÇAS

Nossas melhores memórias afetivas

Pessoalmente carrego memórias muitas, boas e belas dos tempos de festas juninas em tempos nem tão remotos assim


Festa Junina

Festa Junina Foto: G1

As festas juninas são, em minha vida e acredito que na vida de todas as pessoas de minha geração, um espaço de memória afetiva. Há três ou quatro décadas, as festas de Santo Antônio, o santo deste dia 13 de junho, de São João (24) e São Pedro (29) estas festas marcavam as infâncias e as adolescências com fatos e eventos que se incrustaram na parede de nossas memórias. Não saem de lá por nada, são como boas memórias de nossos natais infantis.

Pessoalmente carrego memórias muitas, boas e belas dos tempos de festas juninas em tempos nem tão remotos assim. Festas como as que se organizavam no Sítio Floresta, na estrada da Alegria, quando aquele era um passeio de fim de semana e de aventuras de meninos que tinham no banho de rio, num Poti muito limpo, uma diversão como pouco se pode ter nos dias atuais.

Uma dessas lembranças me veio como em um sonho bom quando me vi diante de uma gravura em tinta guache, datada de 1919, retratando casa do sitio Floresta, pertencente a minha tia-avó Erotides Correia, ela mesma autora da tela. Se transportado pela visão da tela às minhas memórias infantis, cuidei de ir à Estrada da Alegria, onde está o sítio, na confluência com a Avenida Manoel Ayres Neto, que se mantém como uma das mais lindas paisagens de nossa cidade que, soube depois, vai dar lugar a uma dessas grandes avenidas perimetrais ligando grandes regiões da cidade. Mas o lugar ainda é, em boa parte, o que foi na minha infância, com uma vegetação exuberante e o rio por moldura.

No sítio Floresta, o dia de Santo Antônio era de novena e festa, organizadas por minha tia-avó, que ergueu a pequena capela em devoção a Nossa Senhora da Conceição, fazendo festividades religiosas em junho e em dezembro. Gente de todo canto aparecia para rezar, festejar, comer aquelas coisas típicas de junho: manuê, bolos de goma, goma e milho, as batatas doces assadas no borralho da fogueira... Eu era menino e tinha mais fome do que fé. Era mais o pecado da gula que a vontade de rezar que me dominava.

Essa memória boa me transporta direto para o passado, para o tempo de minha tia-avó Erotides, minhas tias Maria José e Maria Justina e minha avó, comandando a casa como boas católicas nordestinas, dedicando parte de seu tempo à fé em Santo Antônio, como já dito o santo do dia de hoje, muito mais que um santo casamenteiro. Para a fé de minhas tias e de minha avó, um santo que protegia a família e cuidava de prover as nossas mesas de alimento.

Acredito que essa fé simples e devoção realmente compromissada com os santos juninos não está perdida – embora bastante modificada. Mas talvez nos caiba mais lembrar das festas juninas como um ponto de união das pessoas, uma espécie de versão nordestina do Natal, entendido aqui como uma festa da família, quando todos se reúnem para a devoção e o compartilhar do alimento típico.

Há em mim a felicidade dessas boas lembranças das festas a Santo Antônio em um 13 de junho fixado em minhas memórias. Espero que haja em muito mais gente essas nossas melhores lembranças afetivas, porque entendo que isso pode e deve ser um mecanismo de construção ou mesmo reconstrução de alegrias e virtudes.

Álvaro Fernando da Rocha Mota é advogado. Procurador do Estado. Ex-Presidente da OAB-PI. Mestre em Direito pela UFPE. Presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

Fonte: Alvaro Mota

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Sobre a coluna

Álvaro Mota

Álvaro Mota

Procurador do Estado e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Álvaro também é presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

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