ARTIGO

Tesouro verde

A riqueza natural não mensurável precisa ser preservada


Meio Ambiente

Meio Ambiente Foto: Imagem ilustrativa

A maioria de nós olha para a natureza de modo contemplativo – o que é bom, porque a natureza é uma das mais perfeitas formas de religação ou de interligação ao cósmico, a Deus. Mesmo assim, a maioria de nós não age de modo tão sensato num contato físico com a natureza. Temos um elevado pendor destrutivo em relação ao que os estudiosos chamam de biomas, talvez pelo fato de que medimos material e financeiramente o ganho de interferir nesse bioma, mas nunca o quanto vale o bioma, inclusive financeiramente.

Não vou aqui me deter em valores precisos, porque não tenho meios para um cálculo refinado do tipo, mas posso asseverar que uma floresta mantida em pé pode valer muito mais que posta abaixo para virar madeira, pasto ou área agrícola. Há ativos florestais que podem e devem ser explorados – em visão de negócio, sim, não de um romantismo ecológico.

A preservação de florestas, matas, rios, formações lacustres naturais, manguezais e toda sorte de bioma não é impeditivo a que sejam exploradas de modo racional, tampouco que se cessem as atividades econômicas que garantem riqueza, conforto e qualidade de vida a bilhões de seres humanos no planeta. O que não se pode, contudo, é avançar sobre ativos naturais nos quais a interferência humana pode custar caro demais, em uma espécie de vitória de Pirro do homem sobre a natureza.

Neste sentido, já que se utilizou uma expressão que remete à guerra, devemos estar certos de que não deve o homem estabelecer um conflito com a natureza. Não. Isso porque a natureza sempre vence, dada a sua força inesgotável. Deve o homem agir como aliado, jamais como um competidor, porque por mais os avanços destrutivos sobre a natureza são, ao fim e ao cabo, uma espécie de suicídio planetário.

A riqueza natural não mensurável precisa ser preservada. Dispomos, no Brasil, por exemplo, de milhões de hectares de terras abertas, das quais foram removidas as coberturas vegetais nativas. Tanto elas podem ser reflorestadas quanto usadas para cultivo e criação.

Aliás, sobre isso, cabe um parêntese fundamental: a Embrapa desenvolveu uma tecnologia de manejo agroflorestal que poderá, em futuro breve, contribuir enormemente para termos mais produção agropastoril com expansão da cobertura florestal. Isso é simplesmente maravilhoso, porque aponta para um futuro em que a preservação passará a ser uma atividade econômica tão importante quanto a agricultura e a pecuária.

Por mais que muitos não queiram ou se aliem a uma ideia de desenvolvimento fincada em práticas que já se mostraram deletérias, o mundo caminha para uma economia em que as práticas conservacionistas deverão fazer parte de toda e qualquer cadeia produtiva, porque a verdadeira riqueza está exatamente em preservar a riqueza natural, jamais em destruí-la.

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Sobre a coluna

Álvaro Mota

Álvaro Mota

Procurador do Estado e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Álvaro também é presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

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