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Natal: ricos mais ricos, mendigos em alta

No Brasil, atualmente, sob a opressão exploratória dos trabalhadores piorada pela agressão de caráter fascista


Desigualdade Social

Desigualdade Social Foto: Ascom

ndicadores estatísticos e sobretudo as ruas, atestam: a economia está cada vez mais favorecendo os bem remediados e ricos e os pobres estão mais pobres. A mendicância aumenta significativamente.

Em todo o tempo em que o hominídeo vive a condição de humanidade, de diversas formas, ele celebrou as viradas solsticiais, do Inverno, e do Verão, conforme a linguagem desta parte do mundo vem palavreando há milênios.

A tradição cristã é herdeira do sistema de crenças sintetizadas no monoteísmo judaizante – referido no Pentateuco – e por aqui o tempo de Juno ou Junho e o tempo do Natal, são um convite à referida celebração da vida. Festas de caráter comunitário, lúdicas.

Mas o mundo desigualado entre tribos e nações, e, dentro delas, grupos organizados para subtrair as disponibilidades da natureza de todos em benefício e gozo de uns poucos, fazem que essas festas hoje em dia, para bilhões de humanos, não passem do avivamento da sua condição de excluídos de sua graça. 

No Brasil, atualmente, sob a opressão exploratória dos trabalhadores piorada pela agressão de caráter fascista que reina, o tempo do Natal chega marcado pelo aumento da mendicância, milhões de brasileiros voltando ao estado de miséria absoluta. Praticando um neoliberalismo radical no sentido de tosco, que engendra uma espécie hedionda de neoescravismo, o núcleo fascista do regime – bolsomorista – leva milhões ao desemprego e subemprego em massa, e quem tem algum trabalho na esfera privada não mais conta com garantias de proteção na lei. É uma perversidade dessa facção política a mentira de que foi Lula e Dilma – e não ela, facção – que destroçaram o Brasil econômica e politicamente, realinhando as bases da antiga matriz colonizadora. Facção da extrema direita, afirmada no patronato capitalista, que sabota a República por um Golpe que quer empurrar o povo trabalhador de volta à barbárie. E que reencaixa o Brasil naquele papel lastimável de Quintal de Sam.  

Ir para o estado de mendigo é algo que desumaniza, que solapa a dignidade, inerente, da condição humana. Pedir esmola não é somente a materialização do roubo que alguns praticam contra a vida de outrem. É contrário à normalidade da própria ordem social. A democracia, por exemplo, não sobrevive de maneira substantiva com grandes parcelas da humanidade sem acesso aos meios de viver dignamente, comer, morar, celebrar os belos dons ofertados aos viventes. De novo, a perversão neoescravista impõe a ideia de que alguém é mendigo por que quer ser, por “preguiça”. 

Cruel, tendente à hediondez criminosa, destituída de compaixão... Motor de ódio contra preto e pobre – que nas sínteses brasílicas se acentuam –, a compulsão por mandar, esganar, chutar, sobretudo explorar o próximo até o osso, tudo isso compõe a expressão mais visível da condução do País nestes dias, meses e anos recentes. 

O Brasil piora, a sociedade, uma espécie de corpo vivo, vive uma demência ante o avanço dos paladinos e práticos do odiar, do matar, do eliminar o outro – a outra, o machismo ideológico e prático já elimina por rotina que vem de séculos. 

Mas estamos em plena festa milenar de passagem de ano e vi há pouco um luminar de nosso tempo – Gustavo Conde – afirmar uma lembrança que também me parece essencial, considerando o “o fosso ético abissal entre as famílias ricas e pobres”. Diz: “As datas comemorativas extraídas do calendário pagão, que servem como excludentes de ilicitude para nossas elites genocidas, são, de fato, experimentadas em sua plenitude espiritual, nas famílias pobres que, com todas as dificuldades, as vivenciam com o sonho legítimo de um mundo melhor e com mais esperança”. 

Segue: "Famílias pobres interagem entre si, têm mobilidade, alto poder de interação e permuta virtuosa de valores. Famílias ricas se aglutinam numa interminável concentração consanguínea, repleta de fetiches e síndromes de ostentação. São 'duros', impermeáveis, egocêntricos.". 

                O ódio e todo tipo de preconceito contra os trabalhadores se acentuam. O grupo dirigente golpista se nutre da violência – é seu método – e quer mais sangue dos empobrecidos rolando pelas sarjetas, eitos e aldeias ancestrais indígenas. Diríamos que “fascistas no passaram!”. Avançam. Seja diferente em 2020.   

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Sobre a coluna

Fonseca Neto

Fonseca Neto

FONSECA NETO, professor, articulista, advogado. Maranhense por natural e piauiense por querer de legítima lei. Formação acadêmica em História, Direito e Ciências Sociais. Doutorado em Políticas Públicas. Da Academia Piauiense de Letras, na Cadeira 1. Das Academias de Passagem Franca e Pastos Bons. Do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

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