SAÚDE

15 principais dúvidas sobre o câncer de próstata

Urologista do Hospital São Camilo esclarece mitos e alerta para a importância do diagnóstico precoce


Exame de próstata: preconceito atrapalha

Exame de próstata: preconceito atrapalha Foto: Reprodução

O câncer de próstata é o tipo mais incidente entre os homens. Só em 2018 foram mais de 68 mil novos casos no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Além disso, ele também figura no topo da lista como o câncer que mais mata brasileiros.

Como ocorre com os demais tipos de câncer, suas chances de cura aumentam quando o tumor é identificado precocemente. Porém, diversos mitos acerca dos exames e tratamento, bem como a relação entre o câncer e o desempenho sexual afastam os homens do consultório médico.

Segundo o Dr. Rodrigo Campos, urologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, esse principal obstáculo no combate à doença. “Por medo e falta de informação, os pacientes demoram a procurar um médico e realizar os exames preventivos, o que dificulta um diagnóstico precoce”, explica.

Por isso, convidamos o especialista a responder as principais dúvidas que os pacientes costumam ter sobre a doença, seus sintomas, diagnóstico e tratamentos. Confira! 

  1. Qual a função da próstata?

A próstata é uma glândula que produz e armazena o líquido espermático.  Esse líquido nutre e protege os espermatozoides, propiciando um ambiente adequado para a sobrevivência e deslocamento desses espermatozoides, especialmente após a ejaculação.

  1. O aumento da próstata tem relação com o câncer?

O aumento da próstata pode coexistir com o câncer e as duas doenças apresentam maior incidência em homens da mesma faixa de idade, na sexta década de vida. O crescimento benigno surge da parte central da próstata e o câncer surge geralmente na parte periférica da glândula 

  1. A vasectomia afeta o risco de câncer de próstata?

Não. Um estudo antigo sugeria essa associação entre a realização de vasectomia e maior risco de câncer de próstata.

Uma releitura dos dados desse estudo concluiu que os homens que faziam vasectomia, passavam a frequentar o consultório do urologista mais cedo e, portanto, faziam mais exames preventivos.

Isso é o que chamamos de vício de seleção da amostra de pacientes, era uma população que procurava mais ativamente o diagnóstico. 

  1. Histórico familiar pode aumentar o risco da doença?

Sim. Um dado importante é se o homem tem parentes em primeiro grau (pai, irmãos, primos) diagnosticados com câncer de próstata, especialmente se foram diagnosticados com menos de 60 anos. 

  1. O câncer de próstata mata?

Sim, pode matar se não for diagnosticado e tratado a tempo. Entre os homens, é o segundo tumor que mais mata no Brasil, perdendo apenas para câncer de pulmão, segundo dados do Inca, do ano de 2017. Mas existe uma variação muito grande no grau de agressividade dos tumores, desde aqueles que nem merecem tratamento e aqueles muito agressivos. 

  1. Quais são os sintomas mais claros do câncer de próstata?

É importante ressaltar que o câncer de próstata é assintomático na imensa maioria dos casos na sua fase inicial. Muitos pacientes têm sintomas decorrentes do crescimento benigno da próstata, doença que pode coexistir. Alguns sintomas que podem aparecer: dificuldade para urinar, sangramento urinário, urinar mais vezes, retenção urinária. Em casos avançados, pode surgir dor nos ossos, consequência de metástases, anemia e perda de peso. 

  1. Disfunção erétil tem relação com o câncer de próstata?

Os dois problemas têm alguns fatores de risco em comum e afetam homens na mesma faixa de idade. Hoje sabemos que a obesidade, o sedentarismo e a síndrome metabólica, que é a combinação de hipertensão, obesidade e diabetes ou pré-diabetes, são fatores de risco para os dois problemas.

Além disso, qualquer tratamento para câncer de próstata pode afetar a ereção. Para alguns homens, o fato de ser diagnosticado já tem impacto no desempenho sexual.  

  1. Quando é necessário retirar a próstata?

A remoção da próstata pode ser necessária principalmente quando a glândula é acometida por um câncer. Nesse caso se faz a remoção total da glândula. Quando o problema é um crescimento benigno, o procedimento realizado normalmente é a parte interna da glândula. 

  1. Quais são as mudanças que ocorrem no corpo e na vida do homem após retirada da próstata? Ele fica impotente?

Se for realizada a retirada total, existe risco de impotência e incontinência urinária. Esses riscos variam muito com estágio da doença, a idade do paciente, a experiência do cirurgião e a técnica empregada no procedimento. 

Pacientes mais jovens, com doença inicial, tratados por um cirurgião experiente e com técnica cirúrgica adequada, com boa potência sexual e continência antes do tratamento tem maiores chances de recuperação.

Aqueles que se recuperam terão ereção, sentirão prazer durante a relação, apenas não vão ejacular.

  1. Existe algum exame que substitua o toque retal?

O exame físico, o toque retal é importante e pelo menos por enquanto, na maioria das situações não pode ser substituído. O que fazemos é aliar vários exames. Além do toque retal, o exame de sangue, o PSA, e o ultrassom da próstata fazem parte da avaliação. Quando necessária, uma ressonância magnética pode ser utilizada. 

  1. Ele dói? Quanto tempo demora?

O exame não dói. Caso o paciente tenha alguma doença no ânus ou no reto, como hemorroidas ou fissuras anais, pode causar desconforto. É um exame rápido, leva menos de um minuto.

  1. Aumento da próstata é sinal de câncer?

Não. O crescimento benigno da próstata e o câncer podem coexistir. Por outro lado, alguns pacientes têm próstatas bem pequenas e um câncer agressivo e avançado e outros podem ter próstatas enormes sem nenhum foco de câncer.

  1. O que significa PSA? Porque esse exame é importante?

O PSA é uma abreviação da expressão da língua inglesa para Antígeno Prostático Específico. É uma proteína produzida pelas células da próstata. A função dessa proteína é manter o esperma na forma líquida, já que em contato com o meio externo ele coagula. Essa proteína pode ser dosada no sangue.

Os níveis sanguíneos de PSA podem aumentar quando existe algum problema na próstata, como câncer, crescimento benigno, inflamações ou prostatites, traumatismos.

Então a dosagem do PSA é importante na triagem desses problemas, especialmente o câncer. Após o tratamento do câncer, o PSA é o principal exame para saber se a doença realmente está sob controle.

  1. Os homens deveriam fazer exames anuais como as mulheres fazem?

As mulheres realmente estão bem à frente. Em alguns países, a expectativa de vida das mulheres pode ser até dez anos maior que a dos homens. Isso se deve também a um maior cuidado com a saúde.

Nesse sentido, os urologistas têm que assumir o papel de médico do homem, ajudando a cuidar da sua saúde como um todo. A consulta com o urologista pode servir para triar várias doenças.

Se diagnosticarmos algum problema, por exemplo, podemos encaminhar o paciente a um clínico geral ou geriatra, de acordo com a idade. 

  1. Com que idade o homem deve fazer o primeiro exame?

Em relação ao câncer de próstata, normalmente se recomenda a partir dos 50 anos. Se houver fatores de risco, a maioria recomenda aos 45 anos.

Já para a saúde geral, especialmente a partir dos 35 anos, é importante avaliar níveis colesterol e açúcar no sangue, pressão arterial etc.


Rede de Hospitais São Camilo

A Rede de Hospitais São Camilo é composta por três hospitais modernos em São Paulo, que ficam nos bairros da Pompeia, Santana e Ipiranga, capacitados para atendimentos eletivos, de emergência e cirurgias de alta complexidade, como transplantes de medula óssea.

Excelência médica, qualidade diferenciada no atendimento, segurança, humanização e expertise em gestão hospitalar são os principais pilares de atuação.

Hoje, a Rede de Hospitais São Camilo presta atendimento em mais de 60 especialidades, oferece ao todo 736 leitos e um quadro clínico de mais de 6,8 mil médicos qualificados. As unidades possuem importantes acreditações internacionais, como a Joint Commission International (JCI), renomada acreditadora dos Estados Unidos reconhecida mundialmente no setor, e a Acreditação Internacional Canadense.

A Rede de Hospitais São Camilo faz parte da Sociedade Beneficente São Camilo, uma das entidades que compreende a Ordem dos Ministros dos Enfermos (Camilianos), uma entidade religiosa presente em mais de 30 países, fundada pelo italiano Camilo de Lellis, há mais de 400 anos. No Brasil, desde 1928, a Rede conta com expertise e a tradição em saúde e gestão hospitalar.

Fonte: Vivian Fiorio

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