GREVE

No quarto dia de ocupação da Fafen-PR, MPT convoca audiência com petroleiros

Grupo permanece acorrentado ao portão principal da Fafen-PR e recebe apoio das famílias dos trabalhadores.


Greve

Greve Foto: Ascom

 Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT/PR) convocou, para a tarde desta sexta-feira (24/1), uma audiência com representantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP), do Sindiquímica-PR, da Ansa/Fafen-PR e da Petrobrás para discutir a situação dos 1.000 empregados da unidade após a decisão da companhia de paralisar as atividades da fábrica. O encontro, marcado para 14h30, foi solicitado pelos trabalhadores da planta, que entram hoje no quarto dia de mobilização em frente à Fafen-PR.

De acordo com o diretor da FUP, Gerson Castellano, a categoria vai reforçar na audiência desta tarde a necessidade de garantir os 1.000 empregos da Fafen-PR. Ele lembra que esse número se refere apenas ao impacto direto nos empregos com o fechamento da unidade. A demissão em massa desses trabalhadores e a paralisação da Fafen-PR, frisa Castellano, ainda ameaçam pelo menos outros 2.000 empregos nos setores de comércio e serviços do município de Araucária, onde está instalada a fábrica, e de outras cidades da região metropolitana de Curitiba.

Desde a última terça-feira (21/1), grupos de trabalhadores da Fafen-PR vêm se revezando numa ocupação na entrada da unidade. Alguns deles estão acorrentados ao portão principal, em protesto contra a decisão de paralisar a planta fabril. Embora não estejam impedindo o acesso à fábrica, esses petroleiros estão convencendo outros trabalhadores a não atuarem na drenagem de produtos da Fafen-PR, ação crucial para a paralisação definitiva da planta.

Diariamente, os trabalhadores vêm recebendo o apoio de suas famílias, que vão à ocupação no fim da tarde e início da noite. Em sua maioria são esposas e filhos dos funcionários da Fafen-PR que se juntam à mobilização para mostrar que também estão sendo afetados pela decisão de fechar a fábrica.

Levantamento do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep) aponta que somente Araucária vai sofrer impacto negativo de R$ 75 milhões anuais com a demissão dos trabalhadores e a perda de suas rendas. Os cofres do governo do estado do Paraná também serão impactados com uma possível perda anual de cerca de R$ 50 milhões em ICMS.

O prejuízo alegado pela Petrobrás para fechar a unidade é questionado por Castellano. “A matéria-prima usada pela unidade é um resíduo que vem da vizinha Repar, que é da Petrobrás. Só que a Fafen paga preço de mercado internacional, não o real custo do insumo. Até 2015 a Fafen dava lucro, mas essa mudança contábil da Petrobrás fez a companhia ter prejuízos.”, disse.

Operando desde 1982, a Ansa/Fafen-PR foi adquirida pela Petrobrás em 2013. Usando resíduo asfáltico (RASF) como matéria-prima, a unidade é capaz de produzir diariamente 1.303 toneladas de amônia e 1.975 toneladas de ureia, de uso nas indústrias química e de fertilizantes. A planta também produz 450 mil litros por dia do Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32), aditivo para veículos de grande porte que atua na redução de emissões atmosféricas. A planta ainda pode produzir 200 toneladas/dia de CO2, que é vendido para produtores de gases industriais; 75 toneladas/dia de carbono peletizado, vendido como combustível para caldeiras; e 6 toneladas/dia de enxofre, usado em aplicações diversas.

APOIO À GREVE

Os trabalhadores da Fafen-PR também realizaram na manhã desta sexta uma assembleia na qual aprovaram o indicativo de greve a partir do dia 1º de fevereiro convocado pela FUP. A greve tem como objetivos garantir o funcionamento da Fafen-PR e exigir da Petrobrás o cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Todos os sindicatos filiados à FUP estão realizando assembleias desde a última segunda-feira para discutir o indicativo. As assembleias irão se estender até o dia 29 de janeiro.

Fonte: FUP - imprensa

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