INSEGURANÇA

Assassinatos e medo de homicidas e traficantes impõem toque de recolher no Soínho

Algunas família deixaram tudo para trás e foram embora do povoado Soínho com medo da violência


Presença da polícia não intimida criminosos na Zona Rural

Presença da polícia não intimida criminosos na Zona Rural Foto: Aquivo do Piauí Hoje

Com medo da ação de homicidas e traficantes de armas e drogas, moradores de povoados da Zona Rural de Teresina estão vivendo uma espécie de toque de recolher imposto pelos criminosos. O Soínho, localizado na estrada da Cacimba Velha, é um desses povoados.

O lugar vem se transformando num dos mais perigosos daquela região. É raro o mês que não ocorre morte ou assaltos por lá. O povo de lá vive, atualmente uma onda de terror e, de tanto medo, se recolhe em em casa tão logo a noite chega.

Dados oficiais revelam que pelo menos 25 homicídios e dezenas de assaltos já foram registrados naquele povoado no últimos dois anos. Uma chacina ocorreu lá no dia 19 de junho de 2017. Naquele dia, três homens foram mortos numa emboscada e outros dois ficaram feridos.

Há pouco mais de quatro meses um rapaz teria tentado assaltar um carro num dos quebra molas do povoado e foi morto com um tiro à queima roupa. O motorista que seria assaltado baixou o vidro do carro, apontou a pistola e atirou no rosto do rapaz. Até hoje o autor desse homicídio é desconhecido.

No final de tarde de domingo passado (01.12) foram registrados mais dois homicídios numa mesma rua do Soínho. E os moradores voltaram a viver momentos de terror com a ação de traficantes que atuam naquela área.

REINCIDENTE

Acusado de traficar drogas e de outros cinco homicídios, Francisco Willians Dias, 26 anos, matou a sangue frio, com um tiro de pistola calibre 9.40, o jovem Wellington Ferreira dos Santos, de 21 anos, também residente no povoado.

O crime foi por volta das 16 horas, na "Rua da Pizzaria". Mas Willians não teve perdão. Ele sofreu um tiro, foi esfaqueado, linchado e teve a cabeça esmagada por uma pedra. Foi uma barbaridade.

Apesar do tráfico e dos assassinatos, Willians nunca havia sido importunado pelas autoridades e vivia em liberdade plena, promovendo medo no lugar. Ele era tifo como líder de um dos grupos que mantém pelo menos cinco pontos de venda de drogas no povoado, de apenas cerca de 300 moradores, incluindo crianças.

As polícias Civil e Militar foram ao local. O corpo de Wellington Ferreira e o que sobrou do corpo de Willian foram recolhidos para o Instituto de Medicina Legal - IML. Sem segurança e com esse clima de terror a população do povoado se recolheu antes das 8 da noite de domingo.

REVOLTA E TIROTEIO NO ENTERRO

No final da tarde desta segunda-feira (02), Wellington Ferreira foi sepultado num cemitério clandestino próximo ao povoado. Durante o enterro, duas guarnição em viaturas da Polícia Militar do Piauí estiveram no local para garantir a segurança.

Moradores conta que Wellington Ferreira estava sozinho no bar quando Willian chegou e, do nada, virou-se para o jovem e disse que tinha acordado com vontade de matar alguém e que esse alguém ia ser ele. Assustado, o rapaz questionou porque ele iria matá-lo se não havia feito nada contra e nem se conheciam. O homem apenas apontou a pistola e atirou. A morte foi imediata.

Ao consumar sua vontade de matar, Willian teria dados as costas ao morto e estava saindo quando teria sofrido um tiro e foi apanhado pelos populares e linchado. Pela frieza com que matou o jovem, moradores do povoado não querem aceitar o sepultamento do restos mortais de Willians, o que causou revolta nos parentes e parceiros dele.

Eles foram ao cemitério na hora do enterro de Wellington e efetuaram disparos para o alto, prometendo vingança. Pelo menos três pessoas já estariam juradas de morte em consequência das mortes e do linchamento de domingo.

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