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Procissão das Sanfonas celebra Luiz Gonzaga, Raul Seixas e Jackson do Pandeiro

Como em romaria, a procissão saiu da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora das Dores, na Praça Saraiva


Procissão de Sanfonas

Procissão de Sanfonas Foto: Ascom

Os artistas vêm de diferentes cidades do Piauí e estados nordestinos vizinhos. Tocam sanfona, zabumba, triângulo, flauta e pífano. É o amor a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, que atraiu toda essa gente para a 11ª edição da Procissão das Sanfonas, na sexta-feira (2), no Centro de Teresina.

Como em romaria, a procissão saiu da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora das Dores, na Praça Saraiva, após a bênção das sanfonas, percorrendo as ruas do calçadão da Simplício Mendes até chegar ao palco montado em frente ao Museu do Piauí, na Praça da Bandeira. Durante todo o percurso, o som do baião atraiu os olhares e celulares de vendedores e pessoas que passavam pelo Centro e que queriam participar e registrar o momento.

Qual não foi a surpresa do seu Edimar Rodrigues, que veio de Bom Jesus à Teresina para cuidar da saúde, ao se deparar com o cortejo animado. "É a primeira vez que estou vendo tudo isso e estou encantado, pois também sou grande fã do Rei do Baião, que é um símbolo do Nordeste", declara.

Rei este que não está sozinho na realeza da cultura nordestina. Neste ano, além de celebrar os 30 anos da morte de Luiz Gonzaga, a Procissão das Sanfonas recorda, ainda, os 30 anos de morte de Raul Seixas, o Rei do Rock, e homenageia o centenário de Jackson do Pandeiro, o Rei do Ritmo.

"Teve a coincidência de essas datas acontecerem todas ao mesmo tempo e surgiu a ideia de homenagear esses três grandes artistas da cultura nordestina", explica Bruno Lustosa, presidente do Fã Club Raul Rock Piauí. Ele também é um dos organizadores da Exposição "30 anos sem Raul Seixas" que reúne o seu acervo de diversas obras sobre e daquele que, em suas palavras, "não era só um cantor, mas também um filósofo, um místico".

A paixão por Raul Seixas é o que move também o artista Robert Seixas, que caracterizado como o rockeiro, interpreta sua música e jeito peculiar de viver. Em um dos momentos mais emocionantes da bênção das sanfonas, Robert cantou, acompanhados dos sanfoneiros, a música "Tente outra vez" do ídolo que, para ele, "é metáfora, incógnita e indecifrável".

Indecifrável também parece ser a alegria que norteia os fãs de Gonzaga. Quando o assunto é baião, até o trabalho é deixado de lado e participar da procissão se torna prioridade. É isso o que conta Socorro Maravilha, que carrega o título de Rainha do Forró por onde passa. "Eu sou técnica de enfermagem e paguei uma moça para ficar no meu lugar, porque viver é preciso e dinheiro não é tudo nessa vida", afirma.

A animação de participar todos os anos do evento é tanta, que se dá um jeito até para quem não tem par para dançar o forró. Dona Lurdinha Nunes levou como parceiro um boneco de pano e dançou a tarde inteira. "Eu queria alguém com quem dançar, então chamei o Seu 'Benzinho' e ele veio comigo", conta.

O evento homenageou com a entrega de troféus criados pelo artista Álvaro Roberto Carneiro, em parceria com o pirógrafo José Francisco Lima, personalidades que fazem parte da história da Procissão das Sanfonas. Uma das homenageadas foi a sanfoneira Maria Sebastiana Torres da Silva, de São Raimundo Nonato. Com brilho nos olhos e sorriso no rosto, ela tem orgulho em contar que toca sanfona há 38 anos e graças ao Rei do Baião. "Aprendi a tocar sanfona ouvindo Luiz Gonzaga num rádio de pilha e naquele momento eu dizia: 'vou ser uma sanfoneira'. Não tive a oportunidade de estudar, não sei uma nota, mas vou no rumo porque sou fã de Gonzaga".

São pessoas assim que levam o nome de "gonzaguiano". Wilson Seraine, presidente da Colônia Gonzaguiana, idealizadora e organizadora do evento, explica o que significa esse termo. "Ser gonzaguiano é participar da Procissão das Sanfonas e mais que isso, é carregar em si a identidade e ensinamentos que Luiz Gonzaga nos deixou, de amor ao próximo e respeito. E o povo gonzaguiano mostrou, mais uma vez, a força e grandiosidade da procissão", finaliza.


Fonte: Andressa Kerllen

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