PRIVATIZAÇÃO

Governo Bolsonaro levou INSS ao caos para privatizar a Previdência, diz sindicalista

Presidente do Sintsprev diz que sem reação da sociedade e dos servidores o INSS vai fechar


Antônio Machado: a sociedade precisa reagir

Antônio Machado: a sociedade precisa reagir Foto: Arquivo do Piauí Hoje

O presidente do Sintsprev, o Sindicato dos Previdenciários no Piauí, Antônio Machado disse, em artigo enviado ao Piauí Hoje.Com, que o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, vem sofrendo um desmonte total do governo federal desde 2016 e que a situação se agravou com medidas desastradas adotadas pelo atual governo.

Segundo ele, o INSS está passando por seu pior momento desde a fundação, está vivendo um caos, mas  explica que o que está acontecendo já era previsto desde a eleição do presidente Jair Bolsonaro.

Para o sindicalista, está claro que o governo quer privatizar o INSS e o primeiro passo para isso é deixar o caos se instalar na instituição para facilitar a passagem para a iniciativa privada. "Todo mundo sabia disso, nós avisamos, não quiseram ouvir, então está aí o resultado", diz Machado.

A seguir, na íntegra, o artigo do presidente do Sintsprev:

"Contra o caos no INSS é melhor morre lutando que se render

As coisas no INSS estão chegando onde já era previsto: a terceirização está batendo às portas daquela autarquia federal e o passo seguinte deverá ser a privatização, que tanto a direita e o atual governo tanto desejavam.

Com cerca de dois milhões de processos de benefícios parados em todo o País, a autarquia enfrenta uma crise de imagem e identidade e vem sendo bombardeada por críticas e cobranças da imprensa, do Ministério Público Federal e dos segurados.

Para chegar a esse ponto, o governo, com ajuda do Congresso, claro, tomou as iniciativas para a instalação do caos na Previdência Social. Primeiro extinguiu o Ministério, em seguida fez a reforma e levou o INSS  à atual situação de pré-coma.

E qual o remédio do governo para o problema? Terceirizar para, em seguida, privatizar. E a alternativa? O INSS precisa refazer seu quadro de servidores, que foi à lona com milhares de aposentarias. Para tanto, precisa fazer concurso imediatamente.

Todos sabem que a tentativa de privatizar a Previdência Social é antiga. O maior desejo dos bancos iniciou-se na gestão do tucano FHC, quando vários órgãos e programas sociais foram extintos. O INSS só escapou porque, na época não existia tecnologia para substituir as pessoas como hoje.

Atualmente, está muito claro que todas as medidas adotadas pelo Governo Bolsonaro, com milhares de atos e normas, acabaram levando o INSS a uma grande crise. Muita gente se aposentou, o trabalho via internet não foi suficiente e a confusão se formou e não tem prazo para acabar.

Agora, para tentar sair da pauta negativa e da crise, o governo deve partir para o segundo momento: a terceirização dos serviços, como já havia planejado. Não se enganem. Tudo no governo segue um plano, seja bom ou ruim. Não tem amador no comando da economia do país.

Assim, seguindo o planejamento, a tal força-tarefa que o governo anunciará nesta quarta-feira (15), para reduzir a fila de quase dois milhões de processos, deverá terceirizar parte do trabalho. E esse é mais um teste para o passo seguinte: a privatização do INSS, como ocorreu com a Embraer e mais recentemente com a Dataprev.

E não há dúvida. A ideia sempre foi criar o caos e depois entrar com a terceirização. Com isso, o governo quer passar a impressão de que tudo foi resolvido rapidamente e que privatizar é a solução, desmoralizando os servidores, que ficam sem poder de reação.

Governo está fazendo o que acha certo para o país nos próximos três anos. Resta saber se os servidores vão aceitar, caladinhos, como cordeiros, ser substituídos por terceirizados.

Claro que alguns servidores, para se esquivarem da luta, vão dizer que o governo foi esperto, porque colocou um programa de hora extra no INSS e está todo mundo feliz com o real no bolso, o que tornaria complicado o poder de mobilização e reação.

Neste caso, no entanto, os servidores precisam é ficar mais espertos que o governo, porque, do contrário, serão substituídos por terceirizados e, quem sabe, podem até ser dispensados, como já está sendo planejado no projeto de reforma administrativa.

Achar que o governo foi esperto e está certo não resolve. É o mesmo que aceitar que o inimigo vai matá-lo, mas você não pode fazer nada porque ele é esperto.
Acho melhor morrer lutando!!!

As agências do INSS lotadas e sem servidores suficiente para atender

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