MULHER

Não é Não! precisa dobrar arrecadação para um Carnaval sem assédio no Piauí

Coletivo feminista atua pela primeira vez no estado para distribuir tatuagens temporárias nos blocos de rua


Bloco Pipoca e Guanara RJ

Bloco Pipoca e Guanara RJ Foto: Créditos Fabiano Battaglin

Pela primeira vez no Piauí, o coletivo Não é Não, que discute e combate o assédio às mulheres no Carnaval, tem apenas mais uma semana para atingir sua meta de arrecadação. É que para produzir as tatuagens temporárias que são distribuídas gratuitamente nos blocos de rua, a equipe, formada por mulheres, conta com um financiamento coletivo na internet - a famosa vaquinha virtual. 

O Não é Não é um coletivo formado por mulheres de 15 estados brasileiros - criado em 2017 por um grupo de amigas cariocas, aos poucos o movimento foi tomando as ruas do país. Nos ensaios de blocos e pré-carnaval, o grupo foi ganhando a adesão das foliãs que militam por um carnaval seguro para as mulheres e livre de assédio. 

2020 é o 4º ano de atuação do coletivo feminista - e o primeiro com a participação do Piauí. Em Teresina, o movimento é encabeçado pelas jornalistas Luana Sena e Camila Fortes. "Uma das barreiras de engajamento é o fato do nosso estado não ter histórico de campanhas com financiamento coletivo", comenta Luana. "Mesmo assim, até agora os números de arrecadação são animadores e estamos otimistas em bater a meta", reforça a  embaixadora do projeto. 

Para motivar as colaborações, as embaixadoras selecionaram recompensas exclusivas, priorizando produções feitas por mulheres locais. Há ítens como ecobag, brincos, pochetes, cadernos e camisetas para quem contribuir com valores que vão de 10 a 400 reais. Todas as faixas de recompensas vem com as tatuagens temporárias que são o lema da campanha por todo o país: Não é Não! "Comprando a recompensa, você garante as suas tatuagens para usar no carnaval e também colabora para que outras mulheres as recebam de graça nos blocos", explica Camila.

As recompensas podem ser adquiridas no site benfeitoria.com/naoenaopi, até o dia 16 e janeiro - o tempo agora é inimigo do projeto. "Esta campanha tem um caráter tudo ou nada", explica Luana. "Se não atingirmos a meta até o dia 16, o dinheiro é devolvido a todo mundo que colaborou e o projeto, infelizmente, não sai do papel". O coletivo precisa arrecadar 3.800 até a próxima semana e, no momento, conta com 48% de arrecadação.

Para contribuir: benfeitoria.com/naoenaopi

Assédio no Piauí

Em 2018, o Piauí registrou 810 atendimentos no SAMVIS (Serviço de Atenção à Mulheres Vítimas de Violência Sexual) - 481 casos foram registrados só em Teresina.

Até julho de 2019, o estado contabilizou 118 casos de importunação sexual - o crime, definido pela Lei n. 13.718/18, passou a garantir proteção à vítimas de atos libidinosos de forma não consensual, comuns em transporte ou vias públicas, e prevê pena de um a cinco anos para o infrator. 

O crime de assédio sexual é comum o ano inteiro e em todos os cantos do país, mas é intensificado durante o carnaval, principalmente pela falsa sensação de que "tudo é permitido". O coletivo Não é Não atua para combater o crescimento alarmante desses números. 


LINK DA CAMPANHA: https://benfeitoria.com/naoenaopi

INSTAGRAM: instagram.com/naoenao_/ 

Fonte: Luana Sena

Próxima notícia

Dê sua opinião: