ANIVERSÁRIO DE TERESINA

Pesquisas da Uespi destacam história e memória de Teresina

Pesquisadores da UESPI vêm realizando trabalhos que tratam a história, o patrimônio arquitetônico, a importância da preservação


Ponte Estaiada, um dos símbolos de Teresina

Ponte Estaiada, um dos símbolos de Teresina Foto: Samuel Brandão

Nesta semana, em que é comemorado o aniversário de 167 anos de Teresina, a Universidade Estadual do Piauí (Uespi) destaca as contribuições acadêmicas, sociais e culturais da universidade, tanto para a cidade como para a sua população. Pesquisadores vêm realizando trabalhos que tratam a história, o patrimônio arquitetônico, a importância da preservação, a identidade e também as evoluções que acompanham o crescimento da cidade.

Atores sociais do bairro Mocambinho

Djalma Alves, licenciado em História e Geografia e pós-graduado pela Uespi, produziu a pesquisa intitulada “Memórias e vivências cotidianas: o bairro Mocambinho na cidade de Teresina – PI em seus primeiros momentos, através de seus atores sociais", que foi apresentada no XII Encontro Nacional de História Oral, Política, Ética e Conhecimento, realizado em 2014, na Universidade Federal do Piauí (UFPI).

O estudioso destacou que Teresina passou por grandes transformações urbanas na década de 1970 que colocaram a cidade em face de uma nova forma estrutural e alteraram o modo de viver dos teresinenses da época. A década marcou o processo de verticalização da capital com grandes edifícios, alterando urbanamente e visualmente a cidade. “As transformações ocorridas em Teresina estão literalmente relacionadas ao aumento populacional por qual passou a capital”, pontuou.

Para o pesquisador, a grande contribuição de quem se propõe a escrever sobre a história de Teresina é a preservação da memória. Apesar das mudanças que toda cidade passa e precisa passar para acompanhar o ritmo de seus moradores, Djalma alerta para a valorização das marcas que identificam uma cidade, sua história e sua população, e destaca para o que vem ocorrendo com o centro histórico na região central da cidade, onde prédios antigos estão sendo ou demolidos ou descaracterizados.

“Quanto mais gente pesquisar, tiver interesse pela cidade e conhecê-la acredito que não teremos apenas memórias escritas no papel, mas uma maior consciência do que cada parte da cidade representa para nós moradores e com isso podemos gerar mais atitudes de respeito e preservação da nossa capital“, declara.

Djalma sentiu a necessidade de fazer a pesquisa sobre Teresina e o Mocambinho a partir da dificuldade em encontrar pesquisas anteriores que abordassem a mesma temática. O historiador conversou pessoalmente com vários moradores antigos da região, que o acolheram e contaram as suas memórias sobre o começo do bairro. “O que é Teresina, senão o povo que a constrói e a transforma cotidianamente? Baseado nesse questionamento, senti a necessidade de ouvir os moradores, conhecê-los e a partir disso ter mais propriedade para falar do tema”, explicou.

A pesquisa trouxe impactos diretos ao Mocambinho, segundo Djalma, que além de pesquisador é também morador do bairro. “O bairro evoluiu na sua parte estrutural, por exemplo, com o asfaltamento de grande maioria das ruas, além da melhoria de grande parte de suas residências e valorização de seus imóveis. Além disso, a lagoa da região foi revitalizada pelo projeto Lagoas do Norte, tornando-se uma área de lazer e de prática de atividade física para a comunidade”, pontou.

Patrimônio arquitetônico de Teresina

Outra pesquisa importante destaca a Preservação Patrimonial Arquitetônica do Centro Histórico da Cidade de Teresina (1988-2006), realizada por Virginia Marques, também licenciada em História pela Uespi.

Sua monografia teve por finalidade refletir acerca da preservação da história de Teresina em se tratando de imóveis localizados no centro histórico da cidade, que trazem em sua composição elementos da arquitetura clássica, neoclássica e eclética, relacionando-os com a identidade da capital. “A escolha do tema foi motivada pelo interesse na temática de Patrimônio e Memória e pelo fato de que, na época, não tínhamos trabalhos nesta área da cidade e nesta perspectiva”, explicou.

Natural do Distrito Federal (DF), a pesquisadora mora na capital piauiense desde criança e tem todas as referências em Teresina. “Estudei, me formei nas três instituições públicas da capital e, atualmente, estou terminando o mestrado em Arqueologia pela UFPI, onde abordo a temática do patrimônio edificado de uma outra vertente: a arqueologia digital. Ou seja, Teresina foi e sempre será a minha melhor referência. Minha base. Meu lugar no mundo“, pontuou.

Os resultados do projeto foram apresentados em congressos em Teresina e em eventos regionais e nacionais. Ela conta que a pesquisa motivou outros pesquisadores a olharem de forma mais empática para o centro e as edificações coloniais. “É importante que as autoridades responsáveis pelo patrimônio da nossa cidade busquem realizar ações que preservem essas riquezas arquitetônicas, porque além de prédios marcados pelo tempo, eles também têm relação com a identidade de Teresina”, afirmou.

De acordo com a professora Viviane Pedrazani, docente do curso de Licenciatura em História da Uespi, pesquisar sobre Teresina é significativo, pois ajuda a pensar na cidade de várias formas, como na sua concepção evolutiva e arquitetônica. Segundo a docente, a Uespi tem produzido uma série de pesquisas sobre Teresina que ajudam a conhecer melhor a história da capital do Piauí e pontos importantes da memória da cidade.

“A contribuição da Universidade neste sentido é que com o conhecimento da história e da memória de Teresina é possível utilizá-lo positivamente em prol da preservação de prédios históricos e da manutenção da identidade da capital, o que ajuda no sentimento de pertencimento à cidade por parte da população”, finalizou.

Fonte: CCOM

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