PROTESTOS

Cresce a polêmica sobre as homenagens de Mão Santa a Jair Bolsonaro

Além da polêmica, crescem também os protesto contra os vereadores que deram título de cidadão a Bolsonaro


Jair Bolsonaro e Mão Santa: extrema direita mostrando a cara em todo o país

Jair Bolsonaro e Mão Santa: extrema direita mostrando a cara em todo o país Foto: Facebook

Até hoje, o presidente Jair Bolsonaro não fez nada pelo Piauí e muito menos por Parnaíba. É por isso que muita gente acha estranho e se posiciona contra a repentina homenagem com título de cidadão parnaibano e batismo de escola daquela cidade com o nome dele. 

A Escola Militar Jair Bolsonaro ficará em um prédio cedido pelo Estado à Fecomércio onde funcionará uma escola. O prédio estava praticamente abandonado e foi totalmente reformado sob o comando do advogado Valdeci Cavalcante. 

A polêmica começa em torno da propriedade do imóvel e do antigo nome da escola que funcionava no local. O estado não autorizou a mudança do nome e a Prefeitura teria feito nova concessão do mesmo imóvel à Fecomércio, dizendo que não havia registro anterior. O Governo do Estado ainda não se pronunciou, mas o caso pode ir parar na Justiça.

As duas homenagens a Bolsonaro são patrocinadas pelo prefeito Mão Santa, pelo advogado e empresário Valdeci Cavalcante, presidente da Federação do Comércio (Fecomércio) e representante do Sesc e Senac no Piauí, e por 11 dos 15 vereadores da cidade.

A homenagem ao presidente está marcada para dia 14, na festa de aniversário de Parnaíba. Ela parece uma simples forma de bajulação, mas não é. Por trás dela, estão interesses de todos os lados. O primeiro, o de Jair Bolsonaro, de alimentar o próprio ego e de encontrar alguém que ataque o PT seja lá como for. O segundo, o dos patrocinadores, que é o dinheiro.

Mão Santa, Valdeci e os vereadores da situação não têm nada de besta. O prefeito está de olho na reeleição e sabe que vai precisar de estrutura para campanha (leia-se dinheiro). Ele sabe que não terá nada do governo do estado, então vai esperar os mais de R$ 40 milhões prometidos por Bolsonaro para obras em Parnaíba.

Pedindo reserva do nome, um daqueles antigos e fiéis seguidores de Mão Santa confidenciou que o prefeito não tem "amor" por ninguém que não seja dona Adalgisa e os filhos.

"Ele não está nem aí pra o que quer e pensa Jair Bolsonaro. Se necessário, fará o mesmo que fez com o então presidente Lula quando se elegeu senador: virou as costas e criou ódio ao PT", avaliou achando esse comportamento positivo no mundo político.
Mão Santa havia sido eleito senador na carona do PT, Lula e Wellington Dias.

"Ele é um líder experiente e está de olho na reeleição e precisa de estrutura de campanha. Sabe que só vai poder contar com recursos do governo federal. Ele não é "bobo", disse o mão-santista como elogio e admiração ao prefeito de Parnaíba.

O mesmo raciocínio vai em direção aos interesses dos demais atores da festa. Não tem nada de patriotismo ou coisa parecida o co-patrocínio do advogado e empresário Valdeci Cavalcante à homenagem ao presidente Bolsonaro. É o dinheiro do governo federal que está por trás da "boa intenção".

Todos sabem que há anos o advogado Valdeci Cavalcante transformou-se num bem sucedido empresário e construtor de obras na capital e em várias outras cidades do Piauí, notadamente no norte do estado. Claro que ele vai cobrar a fatura por ter ajudado a "sensibilizar" Bolsonaro e liberar recursos para Parnaíba. Os empresários não tem lá muita queda para filantropia.

Os vereadores da situação também estão com o mesmo interesse dos outros patrocinadores. Eles, como todo mundo sabe, estão sempre levando obras e benefícios para suas comunidades e também estão de olho no dinheiro federal, afinal 2020 é ano de eleições e sem grana o voto é difícil.

POLÊMICA POLÍTICA E IDEOLÓGICA

O presidente Jair Bolsonaro receberá o título de cidadão parnaibano, numa homenagem totalmente na contramão do pensamento da maioria dos nordestinos. 

Mas o prefeito Mão Santa e o advogado Valdeci Cavalcante não estão preocupados com o que pensam os adversários deles e do presidente. Eles receberam o apoio da maioria dos vereadores às homenagens ao presidente. 

O título de cidadania a Bolsonaro foi proposto pelo vereador Carlson Pessoa e teve voto de apoio dos vereadores Neta Castelo Branco, Reinaldo Filho, Irmão Marquinhos, Antônio Diniz, Beto, Bernardo Lima, Daniel Jackson, Da Paz, André Neves, Joãozinho do Trânsito e Joãozinho da  Unimagem. Ausentes, os vereadores Ronaldo Prado e Ricardo Veras. O vereador Daniel Miranda se absteve. O único voto contra foi da vereadora Fátima Carmino.

A festa para Bolsonaro não será tão tranquila como o desenhado. Já há reações contra as homenagens. Bem no estilo bélico dele, alguns atores políticos estão promovendo debates com acusações e troca de  farpas e insultos.

Manoel Domingos questiona o SESC sobre homenagem a Bolsonaro em Parnaíba

O primeiro a se manifestar contra a homenagem ao presidente foi o ex-deputado federal Manoel Domingos, um comunista parnaibano que vive na sua terra natal. Ele escreveu o seguinte texto questionando o que seria ensinado numa escola militar com o nome de Bolsonaro: 

"CARTA AO SESC

Prezado SESC,

Sabedor de sua iniciativa de inaugurar o COLÉGIO MILITAR PRESIDENTE JAIR BOLSONARO em Parnaíba, ocorrem-me perguntas.

Para agradar o homenageado o SESC negará a sua reputada experiência pedagógica, respeitosa da diversidade, ou ensinará aos adolescentes que o Brasil só terá jeito matando 30 mil pessoas, a começar por Fernando Henrique Cardoso? E que Lula precisa morrer na cadeia?

Oferecerá cursos de tortura, prática necessária para manter o Brasil na linha? Quais modalidades serão privilegiadas? Choque elétrico nas genitálias, pau de arara, sufocamento com saco plástico, afogamento hidráulico, chutes nos rins e no fígado, pancadas simultâneas nos dois ouvidos de sorte a que o vácuo provocado estoure os tímpanos dos inimigos da pátria?

As salas de aula homenagearão os heróis de Bolsonaro, como Brilhante Ulstra e Sergio Fleury? Ou a preferência será dada aos assassinos mais graduados como os generais Médici, Geisel e Figueiredo?

Na lista oficial dos torturadores constam 377 nomes. Haverá comissão para designar os que melhor serviram à Pátria?

Quanto aos ensinamentos cívicos, o SESC editará cartilhas demonstrando aos jovens que a polícia deve matar segundo seu próprio critério, que direitos humanos foram inventados por comunistas sem alma e que há mulheres merecedoras de estupro? Os alunos aprenderão que a liberação da compra e do porte de armas garantirá a segurança dos cidadãos?

Ensinará que o desenvolvimento do Brasil depende da extinção de programas sociais para melhor beneficiar os grandes especuladores? Que ficará melhor com a retirada dos direitos dos trabalhadores, inclusive dos aposentados? E que os nordestinos merecem ser discriminados e humilhados? Haverá disciplinas ensinando os jovens a falar com sotaque paulista e carioca?

Para alegrar seu homenageado o SESC ensinará os benefícios do etnocídio? Demonstrará ser indispensável matar os índios, como no tempo colonial? Imagino a felicidade do Presidente com estas orientações!

O SESC ensinará que o Brasil se desenvolverá com a destruição do sistema de ensino público superior e das instituições de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico?

Não me estenderei em perguntas, prezado SESC. Mas não posso evitar um ponto crucial.

Os alunos aprenderão que o melhor para o Brasil é obedecer incondicionalmente os Estados Unidos? Compreenderão que é bom para os brasileiros ver seu país achincalhado pelo pensamento democrático mundial?

Um jurista conservador, Miguel Reale Jr, famoso por depor presidentes, está dizendo que Bolsonaro ataca “todas as classes que representam uma capacidade crítica”. Considera Bolsonaro um fascista que quer anular o a divergência. Reale quer derrubar Bolsonaro. Se conseguir, o SESC manterá a homenagem?

Uma última perguntinha, juro. Aqueles dois leões colocados na entrada do Colégio, instalado em prédio tombado como patrimônio histórico nacional, é para mostrar que o SESC não liga para a legislação vigente, que proíbe alterar monumentos tombados, ou para me espantar?

Prezado SESC, aguardo ansioso o desenvolvimento de seu projeto.
Manuel Domingos".

Valdeci responde Manoel Domingos com ataques pessoais e adoração a Bolsonaro

Como representante do Sesc no Piauí, o advogado e empresário Valdeci Cavalcante, co-patrocinador das homenagens ao presidente Bolsonaro, respondeu com ataques de cunho pessoal ao professor e ex-deputado federal Manoel Domingos. Valdeci revelou sua verdadeira preferência política, claramente alinhada à extrema direita. Na resposta ao ex-deputado ele se desmanchou em elogios ao presidente. A seguir a resposta de Valdeci Cavalcante a Manoel Domingos:

"ATÉ TÚ MANOEL

Circulam em alguns grupos de Watzap uma nota de péssima qualidade da lavra de Manoel Domingos, criticando a decisão dos dirigentes do Sesc “por homenagearem o Presidente Jair Messias Bolsonaro”.

Na verdade quem está sendo homenageado é o Sesc por fazer constar em seus anais o nome de um grande homem público que procura resgatar a dignidade e o crescimento de nosso País.

A nota triste demonstra o caráter do autor, ou melhor, a sua total falta de caráter: um fracassado, derrotado, revoltado, um aventureiro da pena. Nunca fez nada pelo nosso sofrido Estado e como comunista envergonhou seu partido ao se entregar a chibata do Lucidão e aceitou ser candidato da vice de Mirian Portela, uma candidata da Revolução Militar de 31 de março de 1964.

Na verdade esse Manoel Domingos é um verdadeiro 71. É um X9 = dedo duro, cagueta, cabueta, fofoqueiro, Zé povinho, delator, falso, linguarudo, guela, fifi, tonga, vacilão e INVEJOSO REPRIMIDO.
Não compensa debater com esse tipo ignóbil, crápula e canalha".

PSTU entra na polêmica e promete acionar a Justiça contra homenagem a Bolsonaro

Em nota enviada à imprensa na tarde desta sexta-feira (02) a direção do PSTU garante que vai ingressar com uma ação na Justiça para impedir que o presidente Jair Bolsonaro seja homenageado com nome de colégio militar em Parnaíba, conforme proposta do prefeito Mão Santa e do advogado e empresário Valdeci Cavalcante. A seguir a nota do PSTU:

As mais recentes ações do prefeito Mão Santa não geram nenhuma surpresa a um observador um pouco mais atento. Se nas últimas três décadas Mão Santa tentava trazer para si a imagem de “defensor da democracia”, agora ele volta às origens políticas de filhote da ditadura civil-militar instaurada em 1964, ao dar nome de uma escola municipal de Parnaíba ao presidente e projeto de ditador Jair Bolsonaro. Tal homenagem desrespeita até mesmo a lei que proíbe homenagens deste tipo a pessoas ainda em vida, mas respeitar normas relacionadas aos princípios mais elementares de zelo com a coisa pública também nunca foi preocupação de Mão Santa. Além de ilegal, a nomeação de Bolsonaro em Parnaíba como nome de escola representa um grave ato de apoio político a tudo de mais desprezível que ele representa: racismo, machismo, xenofobia, lgbtfobia, preconceito contra os nordestinos e apologia a tudo que atente contra os direitos humanos e às liberdades democráticas. 

O prédio que abrigará a escola foi cedido pelo Governo do Estado (administração Wellington Dias/PT) à Federação do Comércio (Fecomércio) inicialmente para a criação de um curso de idiomas. Mas a entidade, por sua vez, buscou parceria com a prefeitura de Parnaíba para dar continuidade ao vergonhoso e lamentável processo de militarização das escolas impulsionado pelo governo petista. Omisso, Wellington Dias também deve ser responsabilizado caso essa homenagem de Mão Santa e grupos empresariais à Bolsonaro se consolide, em prédio público pertencente ao Estado do Piauí. Diante de tal ameaça, a única coisa que se espera de Wellington é que retome o prédio para o Estado e impeça tal ilegalidade e homenagem ao que deve ser, na verdade, repudiado.

E no mesmo apreço aos regimes tiranos e aos saudosistas do regime militar instaurado com o golpe de 1964, Mão Santa quer renomear importante avenida como “Presidente Figueiredo”, buscando transformar Parnaíba em um grande “monumento à ditadura”. 

Os que se espantam com as homenagens aos defensores do período sangrento e covarde da ditadura militar talvez não saibam que Mão Santa é um dos maiores exemplos do que se pode chamar de “político vira-casaca”. O que Mão Santa sempre fez foi continuar a trajetória oportunista iniciada em cargos eletivos, ainda no regime militar, quando chegou ao mandato de deputado estadual do Piauí pela Arena em 1978, o partido da situação ditatorial. Quando a ditadura ruiu a partir do movimento “Diretas, Já”, no final da década de 80 abandonou os partidos nascidos a partir da Arena (PDS e PPR) e colocou ao avesso a roupa que vestia, passando a se apresentar com um uniforme aparentemente novo, desta vez com as cores do PMDB.

Foi se aproveitando da “onda da democratização contra a ditadura” em 1989 que o vira casaca Mão Santa se elegeu prefeito de Parnaíba pela primeira vez em 1989. Mais tarde, pelo mesmo partido, chegou ao governo do Piauí, por duas vezes (pleitos de 1994 e 1998), contando com a oposição praticamente apenas de dois parlamentares do PT, um deles Wellington Dias (atual governador) que se elegeu deputado federal em 1998 denunciando corrupção no governo Mão Santa. 

Porém, como oportunistas se atraem, Wellington e Mão Santa estiveram juntos posteriormente, em um mesmo palanque, ajudando-se mutuamente. Após ter sido cassado em 2001 do cargo de governador por crime eleitoral (abuso de poder econômico e político), Mão Santa volta ao cenário legislativo como senador dando apoio ao PT e ao mesmo tempo surfando na onda que elegeu diversos políticos tradicionais e de direita abraçadores do programa de governo conservador contido na “Carta aos Brasileiros” e que levou Lula à presidência da república no processo eleitoral de 2002. Também por questão meramente oportunista, por não ter os cargos que queria na máquina federal no Piauí, rompeu a aliança informal com o presidente Lula e o então governador Wellington Dias ali eleito, também do PT, ainda em 2003. 

Enquanto o governo petista em nível federal conseguia manter índices de popularidade diante de medidas paliativas que aparentemente garantiam o “sucesso da situação econômica”, a família Mão Santa sofreu derrotas políticas importantes no Piauí, chegando a obter cerca de apenas 20 mil votos quando candidato pela última vez a governador do Estado, em 2014. Mas novamente Mão Santa voltaria ao círculo do poder, outra vez tendo o PT como possibilidade de ascensão. Desta feita, a partir do sentimento de ruptura de amplos setores da sociedade com o petismo, que já não conseguia ser um bom gerente do capitalismo, em favor dos mais ricos, com o acirramento da crise econômica. Foi assim que Mão Santa voltou a se eleger prefeito de Parnaíba, ao capitalizar o antipetismo que havia resultado na queda de Dilma e, em seguida, na derrota eleitoral do prefeito petista que tentava reeleição em Parnaíba em 2016.

Os processos que levaram à cassação de Mão Santa em 2001 têm a ver com “auto-homenagens” que foram caracterizadas como abuso do poder econômico durante o governo que tinham como slogan “O Piauí em boas mãos”. Hoje, como prefeito, Mão Santa se sente à vontade de nomear escola municipal militar com nome de Bolsonaro, e com discurso apoiado também em desmandos petistas, e sob o silêncio de instituições como o ministério público. “Atentai, bem. Aqui em Parnaíba o ex-prefeito do PT deu nome de Wellington Dias a um mercado público. Por isso, os petistas não têm do que se queixar”, poderia dizer Mão Santa, que também se mostra inspirado na política de militarização das escolas estaduais promovida pelo governo estadual petista, e estimuladas agora por Bolsonaro. 

Verdade seja dita. Mão Santa, Bolsonaro e Wellington estão no mesmo barco, em favor dos ricos, e contra a classe trabalhadora, apesar de eventuais discursos que aparentem o contrário. Basta ver como tais governos estão empenhados na aprovação da reforma da previdência que representa uma pá de cal no direito à aposentadoria da maior parcela da população. 

Neste sentido, num momento em que o governo Bolsonaro parte para o ataque anunciando medidas que atentam contra as poucas garantias democráticas que temos, e que nomeia militares apoiadores de torturas e ditaduras em diversos cargos do governo federal, é preciso rechaçar fortemente qualquer aceno oportunista que resulte em homenagear os que patrocinaram prisão, tortura e morte a partir do golpe de 1964. Sem esquecer também que não são merecedores de qualquer homenagem os nomes de Wellington, Mão Santa e Figueiredo, o último ditador.

Para defender direitos como o da previdência pública, basta de Wellington, Mão Santa e Bolsonaro. Ditadura nunca mais! Chega de Bolsonaro e Mourão! Não queremos que Parnaíba seja monumento aos ditadores!

Todos às ruas nos dias 6 e 13 de agosto, em todo o país, rumo à greve geral contra a reforma da previdência e contra os governos que nos atacam.

Por último, mesmo não depositando nenhuma confiança na Justiça, o PSTU no Piauí informa que ingressará com ação judicial para busca impedir e ou desfazer nomeação de prédios públicos com nome de pessoas vivas, conforme proibido pela legislação brasileira, como no caso denunciado da escola e mercado público municipal em Parnaíba. 

Piauí, 02 de agosto de 2019.

Direção Estadual do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado - PSTU"

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Sobre a coluna

Luiz Brandão

Luiz Brandão

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há mais de 35 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Atualmente é diretor de jornalismo do portal www.piauihoje.com

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