DERROTA DE MORO

Margarete Coelho vota contra e prisão em segunda instância é derrotada em comissão

Margarete Coelho coordena o grupo de trabalho que aprecia o pacote anticrime de Sergio Moro


Reunião do grupo de trabalho

Reunião do grupo de trabalho Foto: Will Shutter/Agência Câmara

A deputada Margarete Coelho (PP-PI), coordenadora do grupo de trabalho criado para apreciar o pacote anticrime do ministro Sergio Moro, votou contra a proposta do ex-juiz da Lava Jato, que acabou derrotada. Por decisão apertada, ficou decidido que será retirado do pacote anticrime a prisão em segunda instância.  O trecho que incluia no Código de Processo Penal a execução de penas de prisão a réus condenados em segunda instância foi rejeitado por uma margem apertada na votação desta terça-feira (9). Por sete votos a seis, o grupo de trabalho entendeu que o assunto deveria ser tratado por uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e não por um Projeto de Lei (PL).

Margarete Coelho ressalta que não foi discutido o mérito sobre a necessidade da prisão após o julgamento em segunda instância, apenas o fato de essa ser uma matéria constitucional. Ela lembrou, inclusive, que uma PEC sobre esse assunto já tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, apenas aguardando relatoria.

"Se isso é matéria de PEC, é um tempo perdido nós estarmos discutindo aqui em projeto de lei, porque isso fatalmente será declarado inconstitucional. Nós estamos na verdade ganhando tempo, remetendo a matéria para tramitar numa PEC", afirmou Margarete.

"Infelizmente a votação no grupo de trabalho foi contrária ao meu relatório, optando pelo fim da prisão após condenação em segunda instância. Foi uma grande derrota na primeira votação", lamentou o relator do projeto, deputado Capitão Augusto (PL-SP), que também é o presidente da bancada da bala e lembrou: se a votação desse empate, prevaleceria o seu voto de relator, favorável.

Mesmo assim, o capitão está confiante para as próximas votações. A pedido da oposição, o pacote anticrime de Moro foi fatiado em 16 trechos no grupo de trabalho, para que cada item pudesse ser apreciado separadamente. E o próximo assunto a ser deliberado, segundo o relator, é o perdimento dos bens. "Se a pessoa for condenada, a Justiça tem a possibilidade de fazer o arresto de bens dessa pessoa", explicou o Capitão Augusto, dizendo que "nessa é possível" obter o apoio dos colegas deputados.

Veja como votaram os deputados em relação à prisão em segunda instância:

Não:
Fábio Trad (PSD-MS)
Lafayette Andrada (PRB-MG)
Marcelo Freixo (PSOL-RJ)
Margarete Coelho (PP-PI)
Orlando Silva (PCdoB-SP)
Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG)
Paulo Teixeira (PT-SP)

Sim:
Adrana Ventura (Novo-SP)
Capitão Augusto (PL-SP)
Carla Zambelli (PSL-SP)
Coronel Chrisóstom (PSL-RO)
João Campos (PRB-GO)
Subtenente Gonzaga (PDT-MG)

Fonte: Congresso em foco

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