TIRO NO PÉ

Polícia Civil e população reagem ao fechamento das delegacias à noite

Delegacias fechadas passariam a ser vigiadas por seguranças privados


Secretário de Estado da Segurança Pública, Fábio Abreu

Secretário de Estado da Segurança Pública, Fábio Abreu Foto: Paulo Pincel/PH

A proposta polêmica do secretário de Estado da Segurança Pública, Fábio Abreu, de fechar as delegacias no turno da noite para colocar mais policiais civis nas ruas investigando crimes, não agradou a população, que já sofre com a ação dos bandidos. A desativação do turno da também provocou reação na própria categoria, que ameaça inclusive entrar em greve caso essa ideia d seja levada adiante.

Segundo Fábio Abreu, muitas delegacias de Teresina ficam abertas à noite, sem registrar uma ocorrência sequer. Os policiais civis passam o plantão apenas cuidado da delegacia, como se fossem segurança.

A Secretaria, segundo Abreu, vai realizar um levantamento da demanda, isto é, de quais delegacias não tem movimento algum no turno da noite. Essas delegacias serão fechadas e os policiais colocados nas ruas atuando na investigação, enfim, reforçando o contingente policial à disposição da população.

A guarda da delegacia passa a ser feito por segurança privada e as ocorrências da noite serão registradas pela Polícia Militar, que poderão ser acionadas pelo telefone 190. A PM já faz o registro do Termo Circunstanciado de Ocorrência em todo o País.  

O Sindicato dos Policiais Civis reagiu. O presidente do Sinpolpi, Constatino Júnior, considera a proposta de Fábio Abreu inconstitucional, E citando a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI-6201) ajuizada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Judiciária (ADPJ) contra a permissão para que PMs possam registrar os TCOs.

“Essa não é a função constitucional da PM. Nós somos contrários. Isso é uma mostra de como o governo quer sucatear a nossa instituição. A delegacia é onde a sociedade civil se dirige, ela é a polícia cidadã e não pode perder esse contato com o cidadão. Delegacia é pra funcionar 24h”, defende.

Sobre a colocação de segurança privada, Constatino Júnior adverte sobre os riscos da medida, fora os custos financeiros dos contratos, que incluem no salário do vigilante o adicional noturno, encarecendo o valor a ser pago pelo Estado pela segurança das delegacias.

 “Tem que ser da casa, não pode estar trazendo pessoas de fora, podendo passar informações privilegiadas daquilo que está sendo investigado, sem contar as armas que podem ser roubadas ou os inquéritos roubados ou alterados. Contratar uma empresa para cuidar da vigilância? Quanto vai custar? Quem vai lucrar é a empresa e quem vai trabalhar lá são pessoas com indicação política”, acrescenta.

Fonte: Polícia Civil do Piauí

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